28/11/06 - A VISTA Contábil-Empresarial DO MEU PONTO
UNS (os Contabilistas) NÃO PODEM. Outros (os Empresários) NÃO QUEREM, mas é o que AMBOS mais precisam. COMO resolver esta equação?
OS EMPRESÁRIOS \"NÃO QUEREM\"!
No último artigo , após as explicações das dificuldades em conseguir que CONTABILISTAS - por mais que quisessem - não conseguiam mudar de hábito ou, continuando com ele, acrescentarem-lhe um outro - novo - abordei uma dificuldade semelhante percebida do outro lado da mesa, ou seja, com os empresários e que no Estado do Espírito Santo, durante o II Fórum de Professores Contábeis, se tornou mais contundente.
Foi quando um dos muitos professores entusiastas que ali estavam e, pelos quais me senti ainda mais orgulhoso da profissão, disse durante o Painel de Encerramento do Fórum:
\"Eu sou um felizardo. Trabalho há 33 anos na profissão e 29 deles numa grande empresa que valoriza tremendamente a Contabilidade. Exigem relatórios apresentados e debatidos em reuniões semanais, com indicadores, gráficos etc... e eu digo à minha esposa que é proprietária de um escritório contábil: Faça isso para seus clientes. Diga-lhes... Mostre-lhes como isso é importante\", ao que ela respondeu: \"Não adianta. ELES NÃO QUEREM\"! (Cuja frase tomei como título de meu próximo livro que estou concluindo).
Interessante. Eu já ouvira essa frase em 1.984. Nos últimos anos não a ouvira, mas a tinha sentido na própria pele, após dezenas de visitas a empresas de pequenos e médios portes que visitei, e a cujos diretores apresentei a idéia, através de seus respectivos contadores.
Mas, dita ali, naquele Fórum e com aquela ênfase, me levaram a refletir ali e nas semanas seguintes... Era verdade... Os auditores de empresas internacionais com os quais conversara em 1984, a pronunciaram, quando eu havia descoberto um \"grande segredo\" de empresários que obtinham muito sucesso, sem serem extraordinários, cultos, nem gangsters, nem neuróticos, nem super-homens... (os tipos que descobri na pesquisa iniciada em 1960).
As empresas internacionais utilizavam a Contabilidade como Ciência... Exigiam de seus concessionários que as mantivessem \"em dia\" e não com três ou até quatro meses de atraso, como na maioria das nossas micro, pequenas e até médias empresas. Exigiam o preenchimento de quadros (planilhas) para facilitar sua digitação e transformar os números contábeis em gráficos fáceis de serem explicados à uma platéia de empresários sem qualquer conhecimento contábil, mostrando decisões que estavam prejudicando e outras que estavam sendo vantajosas a algumas empresas.
Eu perguntara aos auditores: Como conseguem que empresários QUEIRAM FAZER isso? A resposta: ELES NÃO QUEREM! Só o fazem por uma de duas razões: O prêmio ou o castigo. Se fizerem o que pedimos/sugerimos, serão premiados: descontos, bonificações (hoje eu lembro: GANHARÃO DINHEIRO COM ISSO) ou então pagarão multas, perderão descontos ou até a concessão, ou seja: PERDERÃO DINHEIRO SE NÃO O FIZEREM! Não há outro argumento! Uma descoberta \"arquivada no meu subconsciente\" e que retornava naquele excelente Fórum, através daqueles ótimos professores...
Outra descoberta, na ocasião e que estava também \"arquivada\":
As empresas internacionais não identificavam a empresa da qual estavam falando. Um número código levava a que apenas o seu proprietário soubesse que o bem ou mal de que falavam era de sua empresa;
Esta descoberta tinha retornado sem que eu fizesse a conexão. Foi quando um Contador me procurou dizendo: \"Professor, eu preciso apresentar um pedido de financiamento a um Banco de Desenvolvimento e eles exigem balanços para serem analisados. Como eu sei que o senhor tem um \"software\" que faz isso, o senhor não poderia fazer a análise desta grande empresa COMERCIAL, meu cliente\"? Tudo bem, traga-os. Alguns dias depois ele me entregou alguns balanços e um balancete recente. Ao lê-los, uma surpresa: No Ativo Circulante, sob o item ESTOQUES, constavam as contas: Estoque de Matérias Primas, Estoque de Produtos Semi-Acabados, Estoque de Produtos Acabados. Então eu disse ao Contador:
\"Mas você não tinha dito que seu cliente era uma empresa COMERCIAL? Estes balanços são de uma INDÚSTRIA!\"
Então ele coçou a cabeça e me disse, meio sem jeito: \"Sabe o que é professor? O meu cliente não tem balanços. Então eu peguei os balanços de outro cliente e CORTEI O NOME\". Criativo, não? Só não o denunciei ao CRC por ver sua simplicidade.
Prêmio ou castigo... Ganhar dinheiro ou perder dinheiro... Empresa sem identificação... com o nome \"cortado\"... Eureka! Como eu não vira antes? Só ali aconteceu o \"insight\"!
Que falta de habilidade eu vinha tendo. Ao apresentar a idéia a empresários que já \"NÃO QUERIAM AQUELA CONTABILIDADE\", em vez de usar argumentos positivos e que fossem de SEU interesse eu usara argumentos de acordo com \"minha forma de enxergar\" e não a deles!
Em primeiro lugar, identificando a empresa, embora não em público, mas lá estava o nome dela, ao alto da análise... e - pior ainda - concluía alertando: \"Vai quebrar! Igual às 97% que, no Brasil, morrem - mais cedo ou mais tarde. Sua empresa é como um balão sobrevoando as labaredas do inferno. Se um dos três \"gomos\" do balão furar, ele cai no inferno onde os primeiros que morrem torrados são os empregados... depois vocês\". Se já não gostava daquela contabilidade - puramente fiscal - que só lhe mostravam quanto imposto a pagar, agora vem um professor dizer que sua empresa, os empregados e os donos vão para o INFERNO! Ele que fosse, com sua Contabilidade e tudo! Era preciso encontrar outra maneira, menos agressiva e que não desejasse romper barreiras, mas contorná-las!